Planos empresariais crescem entre contratos de menor porte

Os planos coletivos empresariais continuam sendo a principal porta de acesso à saúde suplementar no Brasil. Em junho de 2026, eles reuniam 73,1% dos vínculos de planos médico-hospitalares: 38,8 milhões dos 53,1 milhões de beneficiários do País. Ao mesmo tempo, o perfil das empresas contratantes está mudando, em um mercado de trabalho também em transformação.

Essa mudança é o tema do estudo “Trabalho em transformação: reflexões sobre emprego, novas formas de ocupação e saúde suplementar”, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

“O plano empresarial é a principal porta de entrada para a saúde suplementar. O que está em transformação é o ambiente em torno dele, com empresas de diferentes portes, perfis profissionais mais diversos e uma população coberta que também está envelhecendo”, afirma Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS.

Contratos menores ganham espaço

  • Em 2014, 15,7% dos beneficiários de planos empresariais estavam em contratos com menos de 30 beneficiários. Até maio de 2026, essa fatia chegou a 28,5%.
  • Nos contratos com até cinco beneficiários, o percentual subiu de 5,4% para 18,9% no mesmo período.
  • Já os contratos com 2 mil beneficiários ou mais ainda reuniam 31,5% do total em maio de 2026.

Os dados consolidados até 2025 apontam na mesma direção. Entre 2020 e 2025:

  • O número de contratantes de planos coletivos empresariais cresceu 60,7%, de 1,56 milhão para 2,51 milhões.
  • O número de beneficiários aumentou 20,2%, de 31,97 milhões para 38,43 milhões.
  • Com isso, a média caiu de 20,5 para 15,3 beneficiários por contratante.

O porte dos contratantes também mostra essa mudança. Em 2025, entre os contratantes classificados por porte, 88,7% tinham de um a quatro vínculos e reuniam 18,2% dos beneficiários. No outro extremo, os que tinham mil vínculos ou mais representavam pouco mais de 0,1% e concentravam 40,4% dos beneficiários.

“A expansão dos contratos menores não reduz a importância das grandes empresas, que ainda concentram parcela expressiva dos beneficiários. O que os dados mostram é que essas duas realidades hoje convivem na saúde suplementar”, analisa Vianna.

Mercado de trabalho

Entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período de 2026, o número de empregados do setor privado com carteira assinada cresceu 16,8%. O avanço foi maior que o da população ocupada (11,2%) e o dos trabalhadores por conta própria (10,8%). A participação dos empregados com carteira na população ocupada passou de 36,4% para 38,2%. Ou seja, os dados não indicam uma substituição generalizada do emprego formal por formas independentes de trabalho.

Em agosto de 2026, o País tinha 48,2 milhões de vínculos celetistas. No segundo trimestre de 2026, 26,1 milhões de pessoas trabalhavam por conta própria e, em setembro de 2026, havia cerca de 17,1 milhões de MEIs. Esses indicadores representam universos distintos e não devem ser somados, mas mostram que diferentes formas de inserção econômica existem em grande escala. O estudo também ressalta que não é possível atribuir diretamente o crescimento dos contratos menores à expansão de MEIs, PJs ou outras formas de ocupação.

Titulares e dependentes

Entre 2020 e 2025, o número de titulares de planos empresariais cresceu 24,5%, enquanto o de dependentes avançou 15,5%. Com isso, a participação dos titulares subiu de 52,1% para 54%. O estudo ressalta que esses dados, isoladamente, não permitem concluir que tenha aumentado a proporção de contratos formados apenas pelo titular.

Beneficiários também estão envelhecendo

A composição por idade da saúde suplementar também mudou. Em junho de 2026, os planos médico-hospitalares reuniam cerca de 8,3 milhões de beneficiários com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% do total. Em dezembro de 2000, eram 3,3 milhões, ou 10,7%. O número de beneficiários com 80 anos ou mais passou de aproximadamente 398 mil para 1,5 milhão no período.

Já os beneficiários de 15 a 29 anos somavam cerca de 10,2 milhões em 2026, contra 7,5 milhões em 2000. Apesar do aumento em números absolutos, a participação dessa faixa caiu de 24,4% para 19,1%, porque as faixas etárias mais altas cresceram mais rápido.

“O envelhecimento dos beneficiários é uma transformação que precisa ser acompanhada de perto. O desafio é preservar o acesso aos planos e, ao mesmo tempo, o equilíbrio entre as diferentes gerações que participam do sistema”, afirma Vianna.

Fonte: Medicina S/A.

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